• Por Guilherme Sesterheim*

Escutei “a nuvem é o novo básico” (cloud is the new black) durante uma seção de treinamento dentro de um escritório da Google. Mas porque eles disseram isso? A Google não criou esta frase bonita. Foi o Gartner.

O que o Gartner quis dizer com “a nuvem é o novo básico”? Em termos rápidos, o Gartner diz que o mercado cloud tem potencial de US$ 1 trilhão. Atualmente é somente US$ 56 bilhões.

A Google repete isto por objetivos comerciais evidentemente. As razões são as mesmas de Microsoft, AWS e de qualquer outro cloud provider: escalabilidade, estabilidade, abstração de infraestrutura e o mesmo bla bla bla de sempre. E eu concordo totalmente com estas razões. Mas deixando de lado estas questões técnicas, para os resultados $$$ do negócio final, porque a nuvem é tão básica?

 

Mas como isto se encaixa no nosso negócio?

Sim, há muitas empresas migrando para cloud e já começando suas aplicações na cloud. Mas consigo encontrar facilmente muitas empresas ainda nem sequer considerando mover-se para cloud. Dentro da minha realidade isto é algo difícil de entender. Como eles podem não ver os benefícios da cloud? Como eles podem usar máquinas normais e gastar milhões de dólares comprando mais e mais storage a cada 6 meses? Para mim é perda de tempo. Vou explicar o porque.

Physical space

As salas em que as máquinas estão localizadas. Elas custam dinheiro. Em algumas empresas, já vi quadras de ruas em áreas nobres da cidade de São Paulo sendo usadas para hospedar… máquinas. As empresas não precisam que o datacenter esteja tão próximo dos escritórios. Não precisam de latência tão baixa. Tenho 100% de certeza. Certamente se eles removessem tudo e alugassem o espaço, o aluguel pagaria uma bela fatia do custo mensal da cloud. E se elas vendessem este espaço? Significaria mais investimentos para departamentos que precisam do dinheiro para inovar e se manter a frente de seus competidores. Por causa desta falta de dinheiro, as áreas estão perdendo tempo. É perda de tempo.

Retrabalho

Recentemente um datacenter próximo da empresa em que trabalho sofreu um incêndio. Muitas aplicações core e não-core de empresas governamentais e privadas foram afetadas. E onde estavam os backups? Dentro do mesmo prédio. Por causa do incêndio, os bombeiros e a polícia não deixaram o time técnico entrar e mover a informação para outro datacenter. A replicação também não estava automatizada. Isto causou mais de 12h de sistemas indisponíveis. Você consegue imaginar alguma empresa dentro de qualquer indústria sem receber transações por 12? Imagine a área financeira. Difícil. Agora imagine uma fábrica sem sistemas por 12h. Eles não vão vender durante um dia todo? Você pode responder “sim, mas neste caso nós podemos anotar e transcrever para o sistema depois”. Os funcionários nem lembram mais como segurar uma caneta. A empresa também não saberá quanto produziram do que eles produzem. Não saberão quanto gastaram produzindo. Mas a questão principal aqui é o excesso de trabalho que será criado dentro destas companhias para colocar tudo de volta aos sistemas. Falando sobre o Brasil, a empresa pode inclusive ser multada pelo governo por não controlar transações de um dia. O que isto significa? Perda de tempo.

Porque não cloud?

Tenho um cliente que executa uma solução de varejo na cloud. A solução está em execução há mais de dois anos sem downtime. É uma solução core para o negócio deles? Não é. Mas o fato dela não trazer dores de cabeça os salva tempo para pensar em outras coisas. Reduz a quantidade de tickets no time de infraestrutura. Melhora inclusive sua saúde mental com menos stress. É claro que a nuvem somente não é a resposta mágica para a estabilidade da aplicação. Eles realmente se importam  com a qualidade do processo de desenvolvimento. Então todos estes benefícios vêm facilmente. Isto NÃO é perda de tempo.

 

Quando as empresas decidirão migrar para a cloud?

Tudo isto me faz pensar que usar cloud é relacionado a maturidade. Agora um link rápido com startups relacionadas a internet: empresas que crescem percentuais inacreditáveis todo ano em todo o mundo. A maior parte delas tem a nuvem em comum. Muitos de seus modelos de negócios não seriam possíveis sem a nuvem.

As empresas tradicionais, que já sentiram as startups “incomodando” suas fatias de mercado, estão se movimentando, ou já se moveram para a cloud.

Porque isto acontece? Porque a nuvem dá a elas a velocidade de que precisam. Coisas que tenho visto sobre ambientes on-premise VS cloud:

  • Um novo ambiente para desenvolver uma nova aplicação pode tomar até um mês para ser disponibilizado, pelo time de infraestrutura, para o time de desenvolvimento iniciar o trabalho. Isto significa um mês a menos no projeto. Dentro da cloud, isto pode ser resolvido em meia hora.
  • Informações de Analytics sendo geradas somente com os dados de “D-1” (somente com informações do dia anterior). Na nuvem podemos ter os dados na hora para tomar decisões.
  • Analizar petabytes de informações sem ter que esperar o final de semana para fazê-lo, que é quando não haverá concorrência com outras aplicações em execução. Na nuvem pode-se fazer quando quiser, sem precisar planejar a compra de milhões de reais em infraestrutura antecipadamente.

Todos estes exemplos querem dizer a mesma coisa: quando as companhias começarem a sentir que estão sendo deixadas para trás porque são mais lentas que seus competidores (sejam eles startups ou não), elas migrarão.

 

Então, porque a cloud é básica?

Então… voltando, porque a cloud é básica? Porque ela significa velocidade. Porque se este artigo fez você lembrar de algum problema que está tendo, ou pode ter dentro de seu time, significa que você irá correr atrás dele para resolver! Mas não será rápido encontrar todos os responsáveis pelos sistemas e pedi-los que mudem para suas novas concepções. Tomará semanas. Meses ao menos. Estas semanas ou meses gastas pelo time procurando como consertar ou prevenir algo de acontecer, significa que serão semanas ou meses sem olhar para a melhoria do negócio, sem olhar para estar a frente de seus competidores. A área de TI não é mais suporte. Não pode SOMENTE estar preparada para o que as  outras áreas exigirão. Ela PRECISA ser uma das áreas de negócio líderes. E porque isto é verdade? O time da TI sabe o que a tecnologia pode fazer. As outras áreas não.

 

 

* Guilherme é líder de área de desenvolvimento de software na ilegra. Possui experiência em tecnologias Google Cloud, linguagens de programação de código aberto, métodos de gerenciamento de projetos e conhecedor de mindset Lean para melhorar processos internos e para as necessidades de clientes. Concluiu o mestrado na Unisinos em 2013, e atualmente frequenta o curso de MBA em gestão de projetos pela Fundação Getúlio Vargas.

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