Modelos de inovação aberta e fechada: uma ponte entre o passado e o presente

Por Caroline Capitani, Gestora de Marketing e Inovação na ilegra

O tema inovação está na pauta de grande parte das empresas. A necessidade de se reinventar, mudar modelos, ampliar portfólio, conquistar novos mercados, aumentar margem, ganhar vantagem competitiva e até mesmo SOBREVIVER exige das empresas um olhar cada vez mais atento para a inovação. Enquanto que nesses novos tempos parcerias, aproximação com meio acadêmico, co-criação com o cliente e relacionamento com startups passaram a ser diferentes formas e canais de inovação, é válido dizer que nem sempre foi assim.

Se fizermos um recorte histórico, onde, há menos de 70 anos atrás, as empresas não estavam diretamente preocupadas com as demandas de mercado, o. O modelo que imperava na época era visto como empurrado pela Tecnologia; o processo de inovação era linear e resultava unicamente da pesquisa e desenvolvimento, como podemos ver abaixo no diagrama da primeira geração do modelo de inovação:

 
(ROTHWELL, 1994)

No final dos anos 60, houve uma inversão no processo e o foco passou a ser a análise da demanda externa e a otimização dos recursos existentes. Apesar da linearidade mantida nesta segunda geração, analisar o mercado e entender as suas necessidades fez com que as empresas lançassem o seu olhar para fora.

 
(ROTHWELL, 1994)

Após um período de crise do petróleo um novo modelo foi criado, marcando a terceira geração dos modelos. Agora, inovação passa a ser vista como o resultado da interação entre necessidades de mercado e da disponibilidade tecnológica da empresa, surgindo o chamado modelo interativo de inovação.

O diagrama a seguir ilustra este novo momento histórico:

 

O início da década de 80 é marcado pela nova geração de equipamentos, atrelados à tecnologia da informação. O ciclo de vida dos produtos tornou-se menor e, com isso, a velocidade de desenvolvimento passou a ser fator de competição. A quarta geração dos modelos de inovação traz a integração na sua essência. As ligações, especialmente com fornecedores primários específicos passaram a ser observadas, apesar de mantida a colaboração horizontal.

 

A quinta geração dos modelos de inovação é identificada no início dos anos 90. Nesta geração, as melhores práticas dos modelos anteriores foram reunidas para formatação de um modelo de sistemas integrados e em rede. A inovação era compreendida como o resultado de uma ação conjunta e cooperada entre diversos atores internos e externos às organizações (empresas, fornecedores, clientes e outras instituições de caráter público ou privado), como pode ser visto na imagem a seguir:

 

A principal evolução dos modelos de inovação foi a abertura para colaboração e co-criação no ecossistema. Migrou-se de um modelo de inovação fechada no qual as inovações eram pesquisadas e desenvolvidas internamente nas empresas e levadas para o mercado de domínio e conhecido, para um modelo aberto, “poroso”, de P&D externo e interno, de múltiplas combinações como pode ser observado na imagem comparativa abaixo:

 

Essa evolução veio acompanhada de uma mudança de mentalidade, de uma nova forma de pensar e agir na busca da inovação:

 
Fonte: Ramaswamy/Gouillart (2010)

Em 2003 surgiu então o termo “open innovation” introduzido pelo professor americano Henry Chesbrough. Cinco anos após conceituar inovação aberta tão mencionada e discutida atualmente, o professor Chesbrough ao abrir um seminário sobre o tema reforça o seguinte: “No séc. XXI não é necessário ser grande para ser bom e ter sucesso. A inovação aberta é distribuída; envolve colaboração entre empresas e entre empresas e universidades. Se houver engajamento, é possível ter sucesso mesmo sendo uma pequena ou média empresa”.

Ao entendermos que nem todos os talentos trabalham conosco e que a propriedade intelectual num processo colaborativo deixou de ser determinante, um bom caminho se abre para pensar a inovação de forma multilateral. Parece que este é um caminho sem volta, até que a inovação o suplante mais uma vez!

Referência: ROTHWELL, Roy. Towards the fifth-generation innovation process. International marketing review, v. 11, n. 1, p. 7–31, 1994.