O que sua empresa precisa entender sobre API Economy, APPs e DevOps

Por um breve momento, tente abstrair a tecnologia quando pensar em APIs, APPs e DevOps. Pense em negócios e em cultura corporativa. Porque no fim das contas é disso que elas tratam, garante Mike Amundsen, Diretor de Arquitetura da API Academy, entidade independente mantida pela CA Technologies que promove treinamento e pesquisa sobre estratégia, desenvolvimento e gestão de APIs Web.

“As Aplication Programming Interface (API) tecnicamente são interfaces de comunicação entre máquinas, mas elas existem para criar valor. Pode-se criar novas aplicações com elas; montar novas fontes de receita para uma empresa a partir do uso de seus assets por terceiros; ou usar os dados coletados por ela para criar um novo negócio”, diz Mike Amundsen.

 

Demanda móvel

As APIs, explica Amundsen, fazem parte há um bom tempo do repertório dos desenvolvedores, mas agora o cenário se aquece em torno da chamada “APP Economy”, especialmente por conta da explosão do uso dos dispositivos móveis e pelo aumento da demanda por conectividade por parte dos usuários.

Esse aumento de demanda por interação móvel faz da internet uma plataforma de relacionamento carregada de dados, dados que podem ser captados pelas empresas por meio de APIs e transformados em valor, seja na forma de um produto específico, seja na forma de conhecimento para ativar um outro produto.

Nesse sentido, as APIs estão no coração das estratégias de mobilidade e nuvem das empresas e atuam como propulsoras da Economia dos Aplicativos.

 

Transformação digital

“As APIs promovem a transformação digital nas empresas”, afirma Mike Amundsen. “Elas transformam não só os produtos mas a cultura corporativa, e ao migrar para uma cultura de APIs a empresa acelera seu crescimento, inovação e criatividade”, diz Amundsen.

Como exemplo do uso estratégico de APIs, o engenheiro cita uma empresa de varejo que lançou um app móvel para que seus consumidores pudessem encontrar rapidamente uma loja próxima de onde estivessem.  “A empresa criou um ponto de contato com seus consumidores, mas ela na verdade usou os dados inputados por eles [seus endereços de referência] para decidir onde abrir novas lojas físicas, baseada no tamanho da demanda em cada região”, explica.

Outra forma de uso de APIs é como elementos de captação de inteligência externa à empresa. “Muitas empresas hoje criam APIs e promovem hackathons para que programadores externos as aperfeiçoem ou agreguem mais valor”, diz Amundsen. Elas são, nesse caso, atrativos para inovação e criatividade. 

Mas Mike é favorável a buscar inteligência dentro de casa: “hackathons externos são bons para obter feedback do mercado e para captar ideias externas, mas hackathons internos ajudam a estimular a criatividade dentro de casa e a criar uma nova cultura de comunicação.”

 

Explosão de APIs

“De 2005 até 2013 subimos de zero para 10 mil web APIs abertas, mas elas são apenas a ponta do iceberg porque são conhecidas. Há um volume muito maior de APIs privadas em atividade”, diz Amundsen, referindo-se às três categorias de APIs: privadas (para uso interno) públicas (distribuídas para diferentes audiências) ou híbridas (em parceria com outras empresas).

Ao implementar uma cultura de APIs a empresa necessariamente vai investir em uma nova forma de trabalhar o desenvolvimento e a programação e aí entramos no terreno dos DevOps. “Um dos aspectos dessa nova forma de trabalhar é a necessidade de estabelecer processos de comunicação intensos entre os grupos e dar mais liberdade para os programadores”, explica Amundsen.

 O ponto focal da economia das APIs é a velocidade, e para ganhar velocidade a empresa precisa descentralizar as decisões da programação e combinar mais liberdade para os programadores com mais responsabilidade porque se as soluções nascem mais rápido, os problemas também aparecem com mais velocidade. 
 
 

DevOps x caos

“Quando você escala (aumenta a abrangência) as coisas, o hardware quebra, e quando você aumenta a velocidade, o software quebra. Você tem de desenhar um cenário que leve em conta as quebras sem parar os processos”.

 

Primeiro passo

Para as empresas que vão começar uma cultura de DevOps e mergulhar na economia das APIs o conselho de Amundsen é começar pequeno. “Pode ser um pequeno grupo dentro da TI trabalhando em segredo em um projeto-piloto ou um grupo que recebeu o impulso a partir de uma decisão do CEO. Em qualquer dos casos, o grupo precisa ter um nível de confiança e receber da empresa licença para trabalhar tranquilo, ter o que precisa e ser blindado contra críticas se errar”.

 

 

Fonte: Adaptado de Computerworld