O verdadeiro desafio do Big Data

Nos últimos tempos, têm aumentado as discussões em torno de Big Data. A realidade, no entanto, é que muitas empresas já lidam com essa questão há muito tempo, bem antes desse termo ter virado moda e um jargão repetido à exaustão por fornecedores. Na prática, Big Data resume um conceito de explosão de dados de uma maneira não estruturada e de forma incontrolável e a necessidade de transformar esses dados em informações que possam ser utilizadas para direcionar os negócios e as estratégias da corporação, para apoiar o processo de tomada de decisões e minimizar riscos.

Apesar do conceito já estar bastante disseminado, ele ainda não reflete a realidade de 95% das empresas na América Latina e está longe de um entendimento prático por parte dos times de TI. Por conta disso, as discussões devem fugir dos jargões de marketing para se concentrar na aplicação prática de Big Data e suas implicações para que a TI se beneficie e surfe essa onda da explosão de dados.

Dentro dessa discussão, um recente evento discutiu como as empresas têm conseguido se beneficiar, na prática, dos ambientes de mídias sociais para geração de dados e transformação dos mesmos em vantagem competitiva para o negócio. Uma das conclusões foi a de que, em vez de utilizar o tradicional ROAS (Return On Advertising Spending ou, em português, Retorno do Investimento em Propaganda), é possível medir praticamente em tempo real o impacto nas redes sociais da exposição de marca ou de uma campanha específica. O que mostra como dados não estruturados podem ser transformados em informação de qualidade.

Mas o que é informação? De acordo com o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, informação vem do latim, da palavra informatio,onis (delinear, conceber ideia). Ou seja, significa dar forma às ideias. E, se considerarmos que a TI significa Tecnologia da Informação é fundamental que o time de TI participe de forma ativa em todo o processo de geração e coleta de dados, transformando dados em informações e, estas últimas, em ativo da empresa.

Para que o processo funcione é necessário ter uma estrutura de coleta e armazenamento de dados, mantê-los em um ambiente seguro e transformá-los em informação, dentro de um ambiente redundante e com disaster recovery (recuperação de desastres). Parece óbvio, não? Não. A prática é que poucas empresas têm uma postura ativa de monitoração de data centers, um plano adequado de recuperação de desastres e um banco de dados com performance adequada ao ambiente atual e ao crescimento dos negócios.

E existe ainda mais um ponto que precisa ser considerado pelas empresas e que requer atenção máxima: como proteger essas informações geradas. Uma estrutura eficiente de firewalls, controle de acesso e gestão da conformidade dos elementos de TI às normas da empresas – quando existem -, são parciais. As ferramentas de segurança poucas vezes são consistentes com os desafios que evoluem dia-a-dia nas organizações.

A escolha de uma solução que cubra os elementos de proteção necessários em um ambiente de TI que atua com Big Data evita sérios problemas para as organizações, como os casos recentes de vazamento de informações, vivenciados por empresas como o Target e Playstation. Nesse contexto, é importante filtrar na origem quais informações são de fato confiáveis no momento em que entram na rede corporativa e avaliar conteúdos lícitos com a profundidade devida em busca de ameaças camufladas ou enxertadas. Aí, um bom firewall se faz necessário para controlar de forma granular.

Em resumo, quando aborda Big Data, o departamento de TI deve poder cobrir todos os elementos para gestão e segurança dos dados e trazer uma abordagem orientada ao negócio, a fim de suportar as oportunidades. Na prática, quando isso não acontece, as empresas perdem oportunidades de aumentar lucro, economia e evitar, de forma proativa, armadilhas do dia-a-dia da operação.

Fonte: CIO