Retrospectiva: relembre os assuntos que marcaram a TI em 2015

O ano está chegando ao fim e na última edição da HUB de 2015 gostaríamos de retomar os principais assuntos e inovações dos últimos meses para que possamos também projetar os próximos desafios.

 

DevOps será o alicerce da próxima revolução tecnológica

Acredita-se que nenhum CIO discorda que velocidade, agilidade e inovação são pilares básicos da sobrevivência dos negócios na sociedade digital. Todos os setores industriais estão sendo afetados pela transformação digital. As proteções regulatórias não conseguem evitar as disrupções por muito tempo.

Os processos de criação de sistemas, em sua grande maioria, são extremamente burocráticos. Desenha-se a solução, congela-se as mudanças durante o rollout e o sistema é entregue muitos meses após sua concepção original. São inumeráveis linhas de código, testadas por equipes separadas dos desenvolvedores, que precisam esperar semanas para um ambiente de teste ser preparado. Depois tudo é repassado para produção, e caso algum problema inevitável aconteça ou uma mudança seja necessária, todo um processo lento e burocrático é demandado para que a mudança seja ativada. As mudanças são geralmente agrupadas e implementadas de uma vez, algumas poucas vezes por ano.

O que é pensar digital em TI? Simples: criar uma TI bimodal e adotar os princípios de DevOps e entrega contínua! Sair de entregas complexas a cada 4- 6 meses para múltiplas entregas por semana, ou por dia. Como fazer? Primeiro simplificando e desburocratizando os processos. Adotar modelo de programação modular e baseado em APIs. É fundamental a compreensão que uma estratégia de APIs possibilita agilidade e novos negócios e não é apenas um modismo tecnológico. Sugiro a leitura do texto “The Secret to Amazons Success Internal APIs”.

É essencial também automatizar as atividades. Em vez de demorados testes manuais por equipes isoladas, atuar em estreita colaboração entre desenvolvedores-testadores-pessoal de operação e usar ferramentas de testes automatizados que possibilitem que pelo menos 80% destes sejam feitos sem interferência humana. Uso de computação em nuvem para agilizar a disponibilidade de ambientes de teste. Além de evitar esperas de semanas (com cloud falamos em minutos) consegue-se colocar em prática novas atividades como testes A/B, por exemplo.

Se a empresa tiver uma estratégia digital é inevitável que sua TI seja transformada. Se ela continuar pensando de forma analógica, não vai suportar a velocidade e agilidade do mundo digital. Portanto, princípios como DevOps e entrega contínua e uso massivo de Cloud Computing não são questões de tecnologia, mas de mudanças estratégicas do negócio. São a base uma TI que vai suportar a estratégia de transformação digital da empresa. É uma questão estratégica de quanto queremos que a nossa TI seja relevante.

 

Qual a força do poder de transformação da Internet das Coisas?

A IoT é uma realidade que o Gartner classifica como uma das dez tendências estratégicas mais importantes para 2015, destacando que as organizações devem começar agora a analisar essas soluções e interiorizar seu potencial. A IoT já não é uma tendência para o futuro porque as empresas e seus setores de TI devem, desde já, se capacitar e começar a preparar sua infraestrutura para capitalizar todo o potencial que ela fornece em curto prazo.

Um dos elementos conceituais mais marcantes da IoT é que ela não apenas permite que os dados gerados por microchips embutidos em objetos e artefatos conectados à rede terminem por otimizar trabalhos desenvolvidos por pessoas, mas também acaba fazendo com que a intervenção humana seja dispensada, já que as máquinas “dialogam” entre si.

A automação de tarefas, que até agora exigia pessoas, será um dos aspectos mais visíveis da IoT. O controle de trânsito, a segurança pública, o consumo de serviços básicos, entre muitas outras atividades que hoje estão a cargo quase que exclusivamente de pessoas, terão a colaboração de máquinas que analisarão dados e tomarão decisões por si mesmas, terão sistemas redundantes, incluindo de energia, que permitirão operar 24h por dia.

Gerentes e CIOs devem entender hoje que a digitalização será total em um prazo muito curto. Este crescimento exponencial de sensores e dispositivos trará desafios do ponto de vista técnico, ou seja, para armazenar, processar e analisar um alto volume de dados, assim como novas preocupações para evitar perdas ou roubos de informação. Neste sentido, os serviços com base na nuvem serão cada vez mais importantes e solicitados, já que dão às organizações uma maior agilidade para responder.

A grande transformação que impulsionará a IoT não deve se restringir a questões relacionadas apenas aos benefícios da digitalização, mas também ao encontro de novas propostas de valor para o negócio. Os gerentes devem estar atentos a esta tendência, se preparar e antecipar as mudanças que deverão adotar para enfrentar um cenário onde quem capitalizar mais rápido os benefícios da informação será o mais bem-sucedido.

 

Pessoas e tecnologia – os benefícios da gestão da mudança

Com o ambiente de negócios enfrentando tantas influências, a capacidade de gerenciar e adaptar-se à mudança organizacional é uma habilidade essencial necessária no local de trabalho hoje. No entanto, grandes mudanças corporativas são complexas porque a estrutura, cultura e rotinas das companhias muitas vezes refletem hábitos persistentes e de difícil remoção remanescentes de períodos passados, mesmo quando o ambiente atual muda rapidamente.

Por isso é necessária uma abordagem estruturada no lado humano da mudança, enxergando além de uma nova plataforma tecnológica – Human Change Management.  O diferencial de uma campanha de comunicação na gestão da mudança é engajar e mostrar o benefício que a inovação traz, adaptando a estratégia de acordo com a realidade do público. Um estudo da McKinsey mostrou um ROI significativamente maior – 108% de diferença – para projetos com excelente gestão.

Toda transformação envolve uma mudança da situação atual à visão de futuro, na qual as pessoas são solicitadas a implementarem a nova forma de operação definida, introduzir novas tecnologias, mudar suas atitudes e a adquirir novas competências com o intuito de aprimorar e melhorar seus desempenhos. O que se ganha com a gestão desse processo é tornar essa visão uma realidade construída no dia a dia das pessoas.