Por que o design transforma corporações

Por Lais Célem*

Hoje se fala muito em startups e metodologias para inovar rápido e ser disruptivo. Termos como “agile”, “lean”, “design thinking”, “protótipo”, estão em alta: a cada semana, um livro sobre esses assuntos é publicado. Todos querem ser líderes de mercado, e para tanto, precisam sair na frente e investir nos métodos e nas tecnologias mais atuais.

O design transformando corporações

Para as grandes e tradicionais corporações, essa demanda do mercado se constitui em um impecílio para se manter na briga por espaço. Isso porque essas corporações não conseguem ter a rapidez e maleabilidade das startups e empresas líderes. Ao contrário, nelas existem muitos processos, burocracia, e medo de mudança por parte de colaboradores que estão há anos na empresa. Pessoas que estão no mesmo cargo, fazendo seu trabalho da mesma forma – respeitando uma estrutura hierárquica rígida, o que faz com que as decisões importantes tenham que passar por muitas pessoas antes de serem implementadas.

O design transformando corporações

Startups e empresas disruptivas, como Google, Apple, Red Bull, Airbnb, estão determinando um nível alto de expectativa no consumidor. E estão influenciando o que nós queremos ser no futuro. As startups geralmente são pequenas, altamente tecnológicas e já nascem com a missão de trazer algo diferente para o mercado; mudar modelos de negócios, mudar a forma como interagimos uns com os outros e que interagimos com produtos. Já empresas líderes de mercado, por estarem no topo, têm a mentalidade e fôlego monetário para inovação. Quero dizer, podem investir nos melhores funcionários, no tempo destes para criação e testar suas ideias no mercado, além de terem uma estrutura pensada para autonomia e rapidez de decisões.

Apesar deste novo cenário em expansão, grande parte do mercado continua sendo das companhias mais tradicionais.  “O mundo não é como São Francisco” disse Luca Mascaro – CEO & Head of Design da Sketchin, em uma palestra durante a San Francisco Design Week. A grande questão é: como podemos transformar e evoluir as grandes corporações e como podemos torná-las sustentáveis dentro do contexto atual de disruptividade?

O design transformando corporações

Com certeza, é um grande desafio e o design é um instrumento valioso nessa jornada. Isso porque através de métodos e ferramentas do design podemos compreender, colaborar, comunicar, re-desenhar e testar novos processos internos, novos modelos de negócio e interações entre pessoas e produtos.

O design transformando corporações
Luca Mascaro – CEO & Head of Design da Sketchin, em uma palestra durante a San Francisco Design Week.

Inspirada na palestra do CEO da Sketchin, trago contribuições e abordo em 7 pontos o papel do design na transformação de grandes corporações:

1º: Entender as pessoas e o processo natural de trabalho delas.

Através de métodos e ferramentas de entendimento, contextualização e proximidade com o público envolvido, podemos conhecer e compreender melhor os stakeholders e o cenário no qual estão inseridos. Pesquisas qualitativas, mapa de empatia, jornada do usuário, construção de personas e cenários são alguns exemplos de ferramentas para atingir esse objetivo.

2º: Facilitar a colaboração e a comunicação.

O design, na sua essência, é uma disciplina de integração. Buscamos o conhecimento com profissionais de diversas áreas e colaboramos com tais profissionais. Essa atitude é imprescindível na transformação de uma grande corporação e o design se torna o facilitador desse comportamento ao unir pessoas de diferentes áreas de conhecimento em workshops de co-criação e discussões e testes ao redor de mapas e protótipos.

3º: Mapear a complexidade do contexto atual.

Uma habilidade fundamental do designer é traduzir sistemas complexos em fluxogramas e mapas compreensíveis, como os fluxos de serviços e jornada do usuário. Dessa forma, planificamos os problemas e oportunidades a serem trabalhados dentro de contextos de espaço, tempo e outras especificidades de um projeto. Planificando por consequência, a complexidade do sistema existente.

4º: Elaborar visões.

Conhecendo as dores e necessidades das pessoas, seus processos de trabalho e conhecendo os problemas e oportunidades do contexto projetual, o próximo passo é elaborar visões de soluções e melhorias. Fazer as conexões necessárias, ativar a criatividade e criar!

5º: Projetar novos modelos internos e externos de serviço.

Projetar novos modelos de serviço significa associar as visões de soluções e melhorias criadas com a prática, o fazer acontecer. Tangibilizar as ideias através de forma visual, testá-las com os stakeholders e iterar para moldar e refinar o sistema.

6º: Traçar roadmaps.

Para que um projeto seja sustentável dentro da realidade de disruptividade do mercado, é necessário estar com o olhar no futuro e se antecipar, pelo menos em planejamento, aos próximos passos necessários para se manter atualizado com as expectativas dos stakeholders. Traçar roadmaps é pensar a manutenção e sustentação dos objetivos presentes e futuros.

7º: Engajar para a mudança.

Por fim, mas não menos importante, uma corporação não muda seus modelos de serviço se as pessoas que fazem a empresa acontecer não estiverem engajadas na transformação e enxergando o processo como positivo e benéfico também para elas. É nosso papel projetar a implantação do novo sistema com um olhar centrado nas pessoas: qual será o impacto da transformação na vida das pessoas, como elas irão reagir, como podem auxiliar no processo e principalmente, como podemos empoderar essas pessoas para que sejam também responsáveis pelo resultado.

O design transformando corporações

As grandes e antigas corporações podem não ter agilidade, flexibilidade e fôlego para acompanhar a velocidade de mudança do mercado, mas ainda são a realidade do mundo fora do Vale do Silício. Precisamos olhar para elas não como inimigas da inovação e do processo de mudança que gostamos de ver nos serviços e produtos, mas como o grande potencial que representam em termos de impacto direto na sociedade que vivemos.

O design é um suporte essencial para a transformação de grandes corporações através da colaboração e do empoderamento dos funcionários, diminuindo a distância entre pessoas e departamentos, planificando oportunidades e problemas e co-criando soluções.

Laís_Célem *Laís Célem é formada em Design pela PUCRJ e especialista em Gestão Social pelo IERGS. Tem forte experiência em UX. Trabalha na ilegra como designer e nas horas vagas pratica montanhismo.

 

 

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