Capítulos

O conteúdo desse estudo é organizado em três capítulos: cada um contém a sua temática específica, que reflete numa macrotendência identificada pelo time ilegra. Ainda assim, consideramos que todos os capítulos estão intimamente interligados.

1

Ultracomplexidade

Entenda os desafios ultracomplexa da realidade atual em que vivemos.

2

Reverberações

Observe de que formas a sociedade se manifesta em resposta ao mundo de hoje.

3

Propósito 2.0

Saiba como estamos resgatando e exigindo novos propósitos em direção a um futuro mais ético.

1. Ultracomplexidade

Na era da ultracomplexidade, quando a humanidade entende que é impossível exercer controle total sobre a realidade com suas múltiplas perspectivas, de cenários e caminhos não lineares, esse “jogo de cartas” com o desconhecido dá origem ao conceito de Sociedade 5.0, focada no bem-estar humano, acima de tudo. Os conceitos de utopia e distopia, antíteses em sua base estrutural e filosófica, passam a ser cada vez mais questionados e presentes na vivência universal, e o desconforto decorrente da incerteza sobre o futuro dá lugar a uma adaptação de panorama, levando-se em conta a impossibilidade da autossuficiência, na busca por mecanismos que fazem uma síntese da realidade sem aliená-la.

Por conseguinte, surge um dos desafios do momento atual: o ser humano está cada vez mais criterioso para se conectar e estabelecer relações sólidas. O DNA das pessoas e seus milhões de partículas formaram uma inter-relação complexa na sua identidade, cabendo às empresas e às marcas serem mais perspicazes ao reconhecer esses aspectos identitários, por vias que não sejam consideradas invasivas e que garantam a confiança.

2. Reverberações

Em uma pesquisa recente, 70% dos profissionais admitiram que não se ausentam totalmente do trabalho mesmo quando estão de férias. No mundo ultracomplexo e cheio de excessos e informações, o Fear of Missing Out (FOMO) torna-se praticamente uma patologia, o medo excessivo de perder algo, a frustração de não saber o que se está perdendo. Em contrapartida, o Joy of Missing Out (JOMO), ou a alegria de não estar em todas, faz com que o ser humano se desconecte do externo para conectar-se consigo mesmo e fortalecer os laços com as pessoas ao redor.

Outros comportamentos amplamente estudados também impulsionam o mercado, levando em consideração a mente humana, como a adoção de práticas relacionadas à diversidade, consumo consciente e sustentabilidade, embora nada disso seja suficiente para satisfazer os consumidores e os formadores de opinião. Estamos na era da desconfiança, seja ela pela falta de transparência das empresas (que não garantem a veracidade da essência contida nas lindas campanhas de marketing caridosas), seja pela insegurança quanto à proteção de dados. No fim, torna-se uma saga demonstrar equilíbrio, sabedoria e ética para um público sufocado por um cenário de alta imprevisibilidade.

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3. Propósito 2.0

Felizmente, o surgimento de questionamentos efusivos juntou-se à enxurrada de transformações e à inadequação do velho capitalismo, para fazer com que as questões humanas falem mais alto. Quando falamos em consumo consciente, muito além da sustentabilidade e do eco-friendly, falamos da consciência de valores. Não é mais tolerável a prática de empresas que, embora pareçam bacanas, façam reverência a questões preconceituosas, racistas, xenofóbicas, misóginas ou homofóbicas. Um caminho eficiente para combater esses problemas é o Design Inclusivo, que tem por finalidade criar projetos, produtos, serviço e experiências acessíveis para todos, evitando a discriminação e a exclusão.

O mundo (e o mercado) dirige-se em busca de novos propósitos, diferentes daqueles instituídos nas décadas de 1980 e 1990. Hoje, é urgente e necessário trabalhar nessas intenções que anseiam por uma sociedade mais justa, com atuação menos agressiva e excludente. É questão de retomar o lado humano e pensar nas pessoas, sejam elas clientes, empregados ou apenas alguém que cruze o nosso caminho.