Escrito por ilegra,

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Atenção à população sênior exibe oportunidades nos setores financeiro e de seguros

Pandemia do novo coronavírus dá chance às empresas de atenderem mais assertivamente um público cada vez mais independente financeiramente e digitalizado.

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casal idoso pagando contas

Para grande parte das fintechs, não será fácil sair ileso da crise atual. Será preciso pensar em novas soluções e inovações para recuperar o ritmo das atividades. A brusca redução na demanda de serviços e o grande volume de demissões, contribuem para que pequenas empresas do setor financeiro pensem em soluções viáveis para manterem seu capital. E a tecnologia é uma grande aliada neste cenário: de acordo com um estudo da Forbes, na Europa, o uso de apps digitais de fintechs cresceu cerca de 72%.

Correndo contra o tempo, bancos também se veem obrigados a lidar com a adaptação para o meio digital. Campanhas baseadas na transição digital saudável da população idosa e alfabetização digital já estão sendo veiculadas. Ainda assim, poucas marcas se mantêm atentas aos novos padrões de mercado e serviços voltados exclusivamente a esse público, que supera os 29 milhões de pessoas – responsáveis por 20% do consumo registrado no Brasil. 

Segundo levantamento feito pela Economist Intelligence Unit, apenas 30% das empresas planejavam ações focadas no cliente 60+. Este cenário deve ser bastante alterado após a pandemia, que ascende a necessidade das companhias se prepararem cada vez mais para atender novos hábitos do consumidor em geral, incluindo a população sênior, que faz cada vez mais uso da tecnologia.

Um mapeamento da ilegra sobre o relacionamento do público sênior com a tecnologia – principalmente no setor de finanças –  reuniu mais de 30 fintechs nacionais e internacionais. Segundo o estudo, apesar de tímidas, o Brasil têm iniciativas promissoras no setor.

Um dos principais pontos de atenção é quanto à segurança. Mais vulnerável a golpes e fraudes, o público sênior desperta interesse em instituições e fintechs focadas em desenvolver soluções de segurança bancária, por exemplo. A gestão financeira familiar também é uma preocupação crescente no que diz respeito ao público idoso. Segundo Caroline Capitani, VP da ilegra e responsável pelo mapeamento, os filhos passam a ser vistos como autenticadores de pagamentos e transações. “Percebemos que, mesmo distantes, eles podem dar um ‘double check’ nas movimentações. Essa é uma grande oportunidade a ser explorada”, diz. “É possível facilitar o uso de aplicativos e soluções digitais de bancos e empresas do ramo financeiro, tornando o sênior hábil para fazer suas transações e pagamentos sem ter que se deslocar até uma agência”, pontua Caroline.

Oportunidades no setor de seguros

As possibilidades de negócio se estendem à área de seguros. No setor de turismo, por exemplo, a adesão dos 60+ é um movimento crescente. Nesse contexto, surgem oportunidades a serem exploradas por empresas do segmento, como oferta de seguros de viagem personalizados e financiamento de viagens especialmente desenvolvidos para o público sênior e suas características econômicas. “Em um cenário pré-pandemia, víamos a ascensão do turismo para esse público. Isso, por sua vez, foi impactado. Ainda assim, é uma coisa a se explorar por aqui”, pontua Caroline.

Outro tema sensível ao público sênior, segundo a VP, é o acesso à saúde. Segundo Caroline, esse é o momento de empresas de seguros investirem em dispositivos e aplicativos de monitoramento, alertas e lembretes que já têm sido usados para a manutenção e controle da saúde do sênior – mas com espaço ainda para planos de saúde adaptados e customizados à realidade dessa faixa etária. “Se observarmos a movimentação de startups do Vale do Silício, como é o caso da Clover e Bright Health, vemos que o foco está no esforço pela acessibilidade e inclusão aos serviços médicos, por meio da criação de seguros personalizados. No Brasil, é necessário que haja uma maior atenção para esse público, principalmente nas iniciativas de home care, por exemplo”, conclui Caroline.

 

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